A indústria brasileira iniciou 2026 sem sinais consistentes de recuperação da confiança empresarial. Em janeiro, apenas nove dos 29 setores analisados pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) estavam acima dos 50 pontos, patamar que indica confiança. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Embora o número de segmentos confiantes tenha aumentado em relação ao início de 2025, quando eram sete, a maior parte da indústria segue operando em terreno pessimista. O indicador permanece abaixo da linha de confiança para empresas de pequeno, médio e grande porte, refletindo um ambiente de negócios ainda pressionado por juros elevados, desaceleração da atividade econômica e maior concorrência externa.
No recorte regional, apenas Nordeste e Centro-Oeste registraram empresários industriais confiantes em janeiro. Segundo a CNI, o Nordeste foi a única região a permanecer acima dos 50 pontos ao longo de todo o ano passado e ampliou esse desempenho no início de 2026. Sul, Sudeste e Norte continuam abaixo da linha de confiança.
O cenário reforça a leitura de que decisões de investimento, ampliação de capacidade e contratação seguem condicionadas a maior previsibilidade econômica.
INDÚSTRIA LIDERA CONTRATAÇÕES DE EXECUTIVOS
Apesar do ambiente mais restritivo, a indústria foi o setor que mais contratou executivos em 2025, de acordo com o Talenses Group Report 2025. O levantamento mostra que 36% das posições de liderança conduzidas pela Talenses Group estiveram concentradas na indústria, à frente de FMCG – Retail & Luxury (28%) e serviços financeiros (17%).
A análise por área indica maior demanda por funções técnicas. Engenharia respondeu por 35% das posições preenchidas no período, evidenciando prioridade para perfis ligados à operação industrial.
“Em 2025, a indústria operou sob forte incerteza, pressionada por juros elevados, desaceleração da atividade econômica e maior concorrência externa. Ainda assim, a demanda por líderes em engenharia e operações se manteve porque esses perfis atuam diretamente sobre eficiência, produtividade e controle dos processos industriais”, comentou Alexandre Benedetti, diretor geral da Talenses. “Para 2026, esse movimento indica prioridade a executivos com base técnica sólida e capacidade de adaptação em um ambiente ainda desafiador”.
Mesmo com a confiança abaixo do ideal na maior parte dos segmentos, o movimento de contratações indica que a indústria mantém foco em eficiência operacional e produtividade como estratégia para atravessar 2026.
Nesse contexto, o contraste entre confiança limitada e manutenção de contratações estratégicas indica que a indústria adota postura seletiva em 2026: reduz exposição a riscos, mas preserva investimentos em liderança técnica como alavanca de competitividade, eficiência operacional e sustentação dos resultados em um ambiente ainda desafiador.





