A CCM, fabricante de descartáveis sediada em Uberaba, Minas Gerais, prevê faturar R$ 900 milhões em 2025, resultado impulsionado pela demanda crescente por produtos voltados ao público adulto. Atualmente, mais da metade da receita (55%) já vem desse segmento. Entre os contratos de maior volume está o fornecimento de 7 milhões de unidades mensais para a Prefeitura de São Paulo.
De olho em novas preferências de consumo, a empresa investiu em uma máquina importada do Japão para produzir a linha pants, voltada a casos de incontinência leve. O formato, semelhante a roupas íntimas comuns, busca oferecer discrição e praticidade ao consumidor. “O adulto com mobilidade quer conforto e segurança; não quer que as outras pessoas saibam que ele está usando uma roupa íntima descartável”, afirmou Rodrigo Zerbini, CEO da CCM.
O envelhecimento populacional brasileiro cria oportunidades expressivas para a indústria. Segundo o IBGE, 24,34% dos brasileiros têm mais de 50 anos, ou seja, cerca de 55 milhões de pessoas. Diferentemente das crianças, que deixam as fraldas por volta dos dois anos, esse público pode permanecer como consumidor durante décadas.
Apesar de ainda pouco explorado, o segmento de roupas íntimas descartáveis cresce cerca de 20% ao ano. Concorrentes como a BigFral, especializada em produtos para adultos, já disputam espaço, mas há margem para expansão.
Os desafios, segundo Zerbini, passam por dois pontos principais: preço e aceitação cultural. Uma pants adulta pode custar até três vezes mais que uma infantil. Para vencer esses entraves, a CCM aposta em diferenciais tecnológicos. “Nossas pants têm uma essência que inibe o odor da urina”, explicou o executivo. Ele ressalta que o perfil desse consumidor é ativo: trabalha, viaja, pratica esportes e busca manter a vida social sem restrições.
A meta da companhia é integrar, até 2026, o grupo de empresas que ultrapassam R$ 1 bilhão em faturamento anual.
JAPÃO COMO REFERÊNCIA GLOBAL
A aposta da CCM dialoga com movimentos já consolidados no Japão, país mais envelhecido do mundo, onde quase 30% da população têm 65 anos ou mais. Lá, as vendas de fraldas para adultos superaram as infantis há mais de uma década.
Em julho, um desfile realizado em Osaka ganhou repercussão ao apresentar roupas íntimas descartáveis em formatos modernos e conceituais, como shorts e bermudas. A iniciativa, noticiada pela emissora NHK World, buscou reduzir o estigma associado ao termo “fralda geriátrica”, substituído por “roupa íntima descartável”.









