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Dignidade menstrual exige mais do que acesso a absorventes, alerta UNICEF

Entidade defende acesso à água, saneamento, higiene, informação de qualidade e ambientes escolares seguros

No Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado em 28 de maio, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) reforçou que garantir dignidade menstrual vai além da distribuição de absorventes. Segundo a organização, o tema também envolve acesso à água, saneamento e higiene, informação de qualidade e ambientes seguros para que meninas e adolescentes possam vivenciar a menstruação sem constrangimentos ou prejuízos ao seu desenvolvimento.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados neste ano pelo Ministério da Saúde, mostram que 15,3% das adolescentes entre 13 e 17 anos deixaram de frequentar a escola ao menos um dia nos últimos 12 meses por falta de absorventes ou outros itens para cuidados menstruais. Nas escolas públicas, esse percentual chega a 16,9%.

O levantamento também aponta que, entre as estudantes que faltaram às aulas por esse motivo, mais de 80% estavam matriculadas em escolas que informavam disponibilizar absorventes, indicando a existência de barreiras adicionais de acesso.

Para Gabriela Mora, especialista em Participação e Desenvolvimento de Adolescentes do UNICEF no Brasil, a dignidade menstrual depende de uma abordagem mais ampla.

“Garantir dignidade menstrual significa garantir condições para que meninas e adolescentes possam permanecer na escola com segurança, privacidade e acolhimento. Isso envolve garantir o acesso à água, saneamento e higiene, incluindo banheiros adequados, informação de qualidade e ambientes livres de estigma”, afirma.

DESAFIOS ESTRUTURAIS

Segundo o relatório sobre pobreza menstrual no Brasil elaborado pelo UNICEF e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em casa, enquanto mais de 4 milhões não contam com itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

Os desafios também aparecem nos dados mais recentes do Censo Escolar 2025. De acordo com o levantamento, mais de 4.600 escolas brasileiras ainda não possuem banheiro, afetando mais de 416 mil estudantes, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Para o UNICEF, a ausência de infraestrutura adequada impacta de forma desproporcional meninas e adolescentes que menstruam, sobretudo em áreas rurais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

“A desigualdade no acesso à infraestrutura básica também é uma desigualdade de gênero”, reforça Gabriela Mora.

COMBATE AO ESTIGMA

Além das questões estruturais, o UNICEF destaca a necessidade de ampliar o debate sobre a menstruação e combater os estigmas que ainda cercam o tema.

Segundo a organização, a falta de informação e o constrangimento associado à menstruação podem levar adolescentes a se afastarem de atividades escolares, esportivas e de convivência social, limitando oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento.

Nos últimos anos, o UNICEF tem apoiado iniciativas voltadas à promoção da dignidade menstrual em diferentes regiões do país, combinando ações de educação, saneamento e participação de adolescentes. Em 2025, atividades realizadas na Amazônia e no semiárido brasileiro alcançaram milhares de crianças e adolescentes por meio de oficinas, rodas de conversa, capacitações e ações educativas.

A entidade também atua no fortalecimento de políticas públicas voltadas à dignidade menstrual, apoiando estados e municípios na construção de ambientes escolares mais seguros, inclusivos e preparados para acolher adolescentes sem discriminação.

Fonte
UNICEF
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