A presença das marcas próprias no varejo farmacêutico vem se consolidando como um dos principais vetores de crescimento do setor. Segundo levantamento da consultoria Amicci, o faturamento com essa categoria mais do que dobrou nos últimos cinco anos, passando de R$ 2,1 bilhões em 2020 para R$ 4,6 bilhões em 2024 — um salto de 119%. Apenas no último ano, a alta foi de 14,9%.
O desempenho está diretamente ligado ao aumento dos investimentos em segmentos considerados estratégicos pelas redes, como bem-estar. O estudo aponta que as marcas próprias já estão presentes em 85% das categorias de consumer health e autocuidado.
Para Antônio Sá, sócio-fundador da Amicci, a estratégia vai além da margem de lucro. “A lucratividade, no entanto, não é única vantagem que leva os varejistas a incorporarem produtos exclusivos ao portfólio. Com a estratégia, as companhias conseguem fidelizar clientes, que passam a ter acesso a produtos de qualidade por valores cerca de 20% a 30% abaixo da média, além de reduzirem a dependência de grandes fabricantes”, afirmou.
Ele ainda destaca como pontos positivos a otimização logística, o controle de estoque e a maior diversidade no mix de produtos.
PROJEÇÕES INDICAM CONTINUIDADE DA EXPANSÃO
A tendência de crescimento deve se manter nos próximos anos. Dados da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro) indicam que o segmento deve crescer 16% em 2025. O canal farma já representa quase metade do setor, com 45% dos associados da entidade vindos da área farmacêutica.
Apesar do avanço, ainda há obstáculos. Segundo a presidente da Abmapro, Neide Montesano, o mercado brasileiro precisa amadurecer em relação à construção e gestão de marcas exclusivas.
“Temos casos de sucesso de grandes redes, mas é preciso amadurecer mais. Falta a muitos empresários entender como funcionam as estratégicas de construção da marca e o tratamento dado ao fornecedor. Muitos profissionais ainda entendem, erroneamente, os produtos do segmento como meros sinônimos de economia”, apontou a executiva. “Outra grande dor é a falta de mão de obra especializada”.
ASSOCIATIVISMO FORTALECE PRESENÇA NO MERCADO
O movimento das marcas próprias não está restrito às grandes redes. Associações varejistas também vêm se destacando pela criação e gestão de portfólios próprios. A Assifarma, por exemplo, já aparece entre as três maiores em vendas da categoria. A Unifabra, por sua vez, afirma que os produtos exclusivos representam 5% do volume comercializado pelas redes que integram o grupo.
A Farmarcas, organização que reúne diversas bandeiras do varejo farmacêutico, atua com três marcas próprias em segmentos distintos:
- Supra Corp, voltada para vitaminas e suplementos;
- Supra Cares, com foco em cuidados corporais;
- Supra Baby, dedicada ao público infantil.
“Já estamos atuantes em cinco das dez subcategorias que encabeçam a venda de marcas próprias no país”, afirmou Guto Zavarelli, gerente de Marketing da Farmarcas.
O avanço das marcas próprias revela uma mudança estrutural no canal farma, que busca ampliar margens, diversificar o portfólio e se diferenciar por meio de soluções próprias em categorias essenciais como higiene, bem-estar e cuidados pessoais.









