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Nãotecidos flushables crescem acima de 7% ao ano, mas excesso de capacidade pressiona o mercado global

Relatório da Smithers aponta descompasso entre oferta e demanda e destaca impacto de preços competitivos da Ásia e mudanças regulatórias

O mercado global de nãotecidos descartáveis em vaso sanitário segue em expansão, com crescimento superior a 7% ao ano, impulsionado por mudanças regulatórias, avanço em mercados emergentes e novas demandas de consumo. No entanto, esse cenário positivo convive com um desafio estrutural relevante: o excesso de capacidade produtiva, que deve marcar o setor até o fim da década.

De acordo com o relatório The Future of Flushable Nonwovens to 2031, da Smithers, a capacidade global deve atingir 253 mil toneladas em 2026, enquanto a demanda ficará em torno de 140 mil toneladas. Mesmo com crescimento anual composto (CAGR) de 8,2% no volume, o mercado levará cerca de sete anos para absorver esse excedente.

Segundo Phillip Mango, especialista da consultoria e autor do estudo, o setor vive um cenário contraditório. “O setor de nãotecidos descartáveis em vaso sanitário apresenta um paradoxo intrigante”, afirmou. “Os fundamentos da demanda são sólidos — especialmente na América do Norte e na Ásia —, mas os produtores estão enfrentando preços de exportação agressivos da Turquia e da China, o que está remodelando a dinâmica competitiva em todas as principais regiões”.

O atual desequilíbrio está diretamente ligado à entrada de novos players e à migração produtiva. Com a saturação do mercado de spunlace tradicional, fabricantes da Turquia e da China direcionaram investimentos para o segmento flushable, que anteriormente apresentava margens mais atrativas.

Entre 2022 e 2025, cerca de 50 mil toneladas adicionais de capacidade foram incorporadas ao mercado. Esse movimento resultou em uma queda significativa de preços, afetando principalmente produtores da Europa e da América do Norte, que enfrentam dificuldades para competir com os níveis praticados pelos exportadores asiáticos.

O estudo destaca dinâmicas distintas entre regiões. A Ásia lidera o crescimento, com taxas superiores a 10% ao ano, impulsionadas pela introdução de produtos acessíveis e aumento da penetração.

Na América do Norte, o desempenho econômico acima das expectativas e a confiança do consumidor têm favorecido não apenas o aumento do consumo, mas também a migração para produtos premium. Ainda com níveis de penetração inferiores aos da Europa, o mercado norte-americano apresenta espaço consistente para expansão.

Já a Europa registra o crescimento mais moderado, com CAGR de 5,5%, refletindo uma estratégia focada na redução de preços para sustentar a demanda.

A tecnologia de hidroentrelaçado por deposição úmida, baseada no entrelaçamento de fibras por jatos de água de alta pressão, permanece como principal rota produtiva para nãotecidos flushables em 2026.

As formulações combinam principalmente celulose e fibras de rayon ou lyocell de corte curto. Enquanto a celulose oferece alta absorção e menor custo, as fibras sintéticas conferem resistência estrutural, garantindo desempenho durante o uso e desintegração adequada após o descarte.

REGULAÇÃO AVANÇA E REDEFINE O SETOR

O ambiente regulatório também passa por uma transformação relevante. Diretrizes voluntárias estão sendo substituídas por exigências obrigatórias em diferentes mercados.

Nos Estados Unidos, a legislação WIPPES determina a rotulagem clara de produtos não descartáveis no vaso sanitário. Na União Europeia, a Diretiva 2020/2151 exige a identificação de lenços umedecidos que contenham plástico com indicação de não descarte em sistemas sanitários.

Apesar dos avanços, ainda não existe uma definição global única para produtos flushables. Padrões como o GD4, da INDA/EDANA, e o PAS, da IWSFG, seguem coexistindo. A convergência é esperada, mas não deve ocorrer antes de 2031.

PERSPECTIVAS

O mercado de nãotecidos descartáveis em vaso sanitário deve continuar em expansão, sustentado por fundamentos sólidos de demanda e evolução regulatória. No entanto, o excesso de capacidade, a pressão de preços internacionais e a fragmentação regulatória exigirão estratégias mais robustas dos fabricantes para garantir competitividade e rentabilidade nos próximos anos.

Fonte
Nonwovens
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