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Absorventes reutilizáveis e descartáveis coexistem em cenário de diversificação e inovação no cuidado menstrual

Com foco crescente em sustentabilidade e pluralidade de escolhas, o mercado se adapta às novas demandas das consumidoras, impulsionando inovação em produtos e materiais

O segmento de absorventes íntimos vive um momento de expansão e transformação. Tradicionalmente dominado por produtos descartáveis, o mercado passou a incorporar soluções reutilizáveis, como calcinhas absorventes, coletores menstruais e absorventes de pano — um movimento impulsionado por mudanças no perfil de consumo e nas exigências socioambientais.

Mais do que substituição, trata-se de um processo de diversificação que amplia o leque de escolhas das pessoas menstruantes, com base em critérios como sustentabilidade, praticidade, conforto, custo-benefício e autonomia. Cada vez mais, o cuidado íntimo é entendido como uma experiência pessoal e contextual, na qual diferentes soluções podem coexistir.

Produtos reutilizáveis ganham espaço com apelo à redução de resíduos. Segundo estimativas recorrentes, absorventes descartáveis convencionais podem levar até 500 anos para se decompor, enquanto calcinhas e coletores ajudam a reduzir o volume de descarte. Além disso, seu uso recorrente pode representar economia a longo prazo.

Estudos de mercado reforçam essa tendência. Segundo a Grand View Research, o mercado de calcinhas absorventes deve crescer 17,4% ao ano entre 2023 e 2030. Mas, apesar do avanço dos reutilizáveis, os absorventes descartáveis seguem dominando o mercado em volume — com penetração associada à praticidade, ampla disponibilidade no varejo e facilidade de uso, especialmente relevante em contextos com acesso limitado à infraestrutura de higiene, como banheiros públicos ou regiões sem água potável.

SUSTENTABILIDADE TAMBÉM IMPULSIONA INOVAÇÃO NOS DESCARTÁVEIS

Os absorventes descartáveis têm passado por um processo consistente de modernização. A indústria tem investido em soluções que equilibram desempenho com menor impacto ambiental, como uso de materiais biodegradáveis, redução de plásticos, eficiência no uso de matérias-primas e modelos de descarte mais responsáveis.

Empresas tradicionais e startups têm liderado movimentos nesse sentido. A Essity, por exemplo, lançou no Brasil a linha Libresse V-Bio, com absorventes e protetores biodegradáveis. A mesma empresa também já alcançou 80% da meta de embalagens sustentáveis para 2025, consolidando sua estratégia ambiental.

Outros destaques incluem a Fluus, com absorventes descartáveis que podem ser eliminados diretamente no vaso sanitário, eliminando microplásticos, e a Greencore, que oferece absorventes ultrafinos produzidos sem uso de árvores. A mesma empresa também expandiu seu portfólio sustentável na Europa com foco em marcas próprias.

A marca britânica The Cheeky Panda lançou absorventes de bambu com núcleo 100% natural, enquanto a canadense Joni ampliou a distribuição de seus absorventes sustentáveis no varejo norte-americano.

INDÚSTRIA ADOTA ESTRATÉGIA HÍBRIDA E AMPLIA PORTFÓLIOS

Com a diversificação das preferências do consumidor, a indústria de cuidados menstruais responde com portfólios mais amplos e integrados. Fabricantes tradicionais têm investido tanto na inovação dos descartáveis quanto no desenvolvimento ou aquisição de marcas reutilizáveis.

A Essity, líder global em higiene e saúde, tem fortalecido sua presença com a marca Libresse — conhecida como Saba e Nosotras em outros mercados — e ampliado seu portfólio com calcinhas absorventes e protetores íntimos biodegradáveis. A empresa também atua na desmistificação do uso dos protetores diários, promovendo educação sobre bem-estar íntimo.

Já a Kimberly-Clark adquiriu a Thinx, empresa norte-americana especializada em underwear menstrual reutilizável, sinalizando sua estratégia de integração entre diferentes categorias.

Além das multinacionais, marcas como Pantys (Brasil), Korui (Brasil), Saalt (EUA), Mooncup (Reino Unido), Freda (Reino Unido) e Heralogie — que desenvolveu uma coleção de roupas íntimas menstruais com foco em sustentabilidade — seguem ganhando espaço com soluções reutilizáveis de alto valor agregado.

CONSUMO PLURAL EXIGE ESCUTA ATIVA E INOVAÇÃO CONTÍNUA

A convivência entre modelos reutilizáveis e descartáveis é reflexo de um setor que evolui para atender diferentes perfis e contextos de uso. O mesmo consumidor pode optar por absorventes descartáveis em um dia de viagem e usar calcinhas absorventes em casa; pode escolher protetores diários biodegradáveis por conforto, e coletores menstruais por economia.

Para a indústria, esse comportamento representa tanto um desafio quanto uma oportunidade: escutar as pessoas menstruantes, investir em inovação e comunicar com clareza as características e vantagens de cada solução. No centro dessa transformação, está o respeito à escolha individual e a responsabilidade coletiva de oferecer produtos seguros, eficazes e ambientalmente mais responsáveis.

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