Incontinência urinária afeta rotina de 95% das mulheres na gravidez e no puerpério
Levantamento encomendado pela TENA com mulheres brasileiras mostra mudanças na rotina, constrangimento social e falta de informação sobre formas adequadas de manejo da condição
A marca TENA, especializada em produtos para incontinência urinária adulta e parte da Essity, divulgou um estudo que analisa os impactos das perdas de urina durante a gravidez e no período pós-parto no Brasil. Intitulada “TENA: o impacto das perdas de urina na gravidez e no puerpério”, a pesquisa evidencia como a condição afeta aspectos físicos, emocionais e sociais da rotina feminina.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 40% das gestantes no país enfrentam episódios de incontinência urinária. Apesar da frequência, o tema ainda é cercado por desinformação e estigmas, o que dificulta o diagnóstico e o manejo adequado.
O levantamento foi encomendado pela TENA ao Okno Núcleo de Estudos e combinou abordagens qualitativas e quantitativas. A pesquisa ouviu mulheres que vivenciaram episódios de perdas espontâneas de urina durante a gestação e após o parto. Participaram gestantes com mais de 24 semanas, puérperas com filhos de até um ano e mulheres que desenvolveram a condição durante a gravidez e convivem com ela até hoje. As participantes tinham entre 35 e 50 anos.
Entre os principais resultados, 95% das entrevistadas afirmaram que a incontinência urinária impactou sua rotina diária. Metade relatou episódios de vazamento duas a três vezes por semana, geralmente com fluxo considerado muito leve.
Mesmo nesses casos, a condição afeta a previsibilidade das atividades cotidianas. De acordo com o estudo, 84% das participantes já passaram por escapes de forma inesperada, inclusive em ambientes como o trabalho, na casa de terceiros ou em locais públicos.
Essas situações acabam gerando mudanças de comportamento. Antes de sair de casa, 53% disseram ir ao banheiro de forma preventiva, enquanto 40% procuram verificar se haverá sanitário disponível no local de destino.
O consumo de líquidos também sofre alterações. Cerca de 45% das entrevistadas afirmaram reduzir a ingestão de água ou outras bebidas, enquanto 34% evitam beber líquidos no período da noite.
As adaptações também aparecem na forma de vestir. Segundo a pesquisa, 39% das mulheres passaram a modificar o tipo de roupa utilizado, 21% evitam peças claras ou justas e 5% relatam usar duas peças íntimas simultaneamente como forma de prevenção.
Segundo Carla Girólamo, gerente de Marketing de TENA no Brasil, os resultados reforçam a importância de ampliar a abordagem do tema durante o pré-natal e o pós-parto, além de incentivar o diálogo entre mulheres e profissionais de saúde.
“Quando 95% das mulheres dizem que a condição impactou sua rotina, estamos falando de qualidade de vida. TENA quer contribuir para que esse tema seja tratado com naturalidade, baseado em informação e acolhimento. Quebrar o tabu é essencial para que mais mulheres busquem orientação, conheçam as possibilidades de tratamento e entendam que não precisam enfrentar os escapes sozinhas”, afirmou a executiva.
CONSTRANGIMENTO E FALTA DE INFORMAÇÃO
O estudo também aponta o impacto emocional da condição. No primeiro episódio de escape, 82% das entrevistadas relataram sentimentos negativos, como vergonha, desconforto ou medo.
Em muitos casos, a experiência é compartilhada apenas com um grupo restrito de pessoas, geralmente a mãe ou o parceiro. Embora 73% afirmem já saber que escapes podem ocorrer durante a gestação — principalmente por orientação médica, citada por 47% — muitas relatam que o tema não é aprofundado durante as consultas.
Outro ponto relevante identificado pela pesquisa é a falta de conhecimento sobre formas adequadas de manejo. Metade das entrevistadas afirmou não saber que existem produtos específicos para incontinência urinária.
Parte das participantes relatou ter recebido orientação para utilizar absorventes menstruais comuns, inclusive por profissionais de saúde, alternativa que não resolve adequadamente questões como absorção e controle de odor.
Para a ginecologista e consultora do estudo, Joele Lerípio, a falta de informação contribui para que muitas mulheres convivam com o problema em silêncio. “Embora seja frequente na gestação e no pós-parto, a incontinência urinária não deve ser encarada como algo que a mulher simplesmente precisa aceitar. Existem diferentes abordagens terapêuticas, como fisioterapia pélvica, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamentos médicos específicos. O primeiro passo é falar sobre o tema e buscar orientação profissional”, explicou.
Segundo a médica, algumas estratégias adotadas espontaneamente pelas pacientes podem trazer riscos à saúde. “Diminuir a ingestão água e outras bebidas não é uma solução e pode favorecer infecções urinárias e outros problemas. A avaliação individualizada é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida da paciente”, completou.
Para Girólamo, o levantamento busca ampliar o debate sobre o tema e estimular o acesso à informação. “TENA entende que falar sobre incontinência urinária é uma questão de bem-estar e qualidade de vida. Ao trazer dados concretos sobre a experiência de mulheres brasileiras, buscamos quebrar o tabu e incentivar a busca por informação e tratamento”, comentou. “A condição tem cura em muitos casos e, enquanto está sendo tratada, é importante utilizar produtos desenvolvidos especificamente para essa necessidade, com tecnologia de alta absorção e controle de odor”.









