O estado de Nova York sancionou uma nova legislação que proíbe o uso de PFAS — conhecidos como “químicos eternos” — e outras substâncias químicas consideradas tóxicas em absorventes higiênicos. A lei S.1548/A.1502 foi assinada pela governadora Kathy Hochul e entrará em vigor em 19 de dezembro de 2026, estabelecendo novas exigências regulatórias para fabricantes de produtos menstruais.
Com a medida, Nova York se junta a outros oito estados norte-americanos que já restringiram o uso de PFAS nesses produtos e, ao lado de Vermont, torna-se o primeiro estado a ampliar a proibição para outras substâncias químicas tóxicas, como chumbo, formaldeído, parabenos e ftalatos.
A legislação tem implicações diretas para a cadeia produtiva de personal care, especialmente para fabricantes de absorventes externos e internos, fornecedores de matérias-primas, químicos e desenvolvedores de tecnologias de formulação. Segundo organizações que apoiaram o projeto, a nova lei cria um novo padrão regulatório que pode influenciar o mercado nacional, inclusive em estados que ainda não adotaram regras semelhantes.
De acordo com dados citados durante a tramitação do projeto, uma pessoa que menstrua pode utilizar até 10 mil produtos menstruais ao longo da vida. Como esses produtos entram em contato com áreas do corpo altamente absorventes, o risco de exposição a substâncias químicas nocivas é considerado mais elevado.
A deputada estadual Linda B. Rosenthal, autora da proposta na Assembleia, destacou o avanço regulatório após anos de discussão sobre equidade menstrual no estado. “As mulheres não deveriam ter que tolerar produtos menstruais nocivos e, com a assinatura desta nova lei, as mulheres em Nova York não terão mais que fazê-lo”, afirmou. “Tenho orgulho de que minha legislação restringindo substâncias tóxicas em produtos menstruais tenha sido sancionada”.
Representantes do setor empresarial também enxergam impactos econômicos e estratégicos. Bob Rossi, diretor executivo do Conselho Empresarial Sustentável de Nova York, afirmou que a legislação pode estimular a transição para novas soluções. “Nossas empresas e nossa economia dependem de uma população saudável, que está ameaçada pelo envenenamento por PFAS, especialmente em produtos que entram em contato direto com nossa pele”, disse.
A aprovação da lei reforça uma tendência de maior rigor regulatório sobre produtos de higiene pessoal nos Estados Unidos, especialmente aqueles de uso íntimo e recorrente. Para a cadeia de personal care, o movimento sinaliza a necessidade de revisão de portfólios, adequação de matérias-primas e investimentos em inovação para atender a padrões regulatórios mais restritivos nos próximos anos.
Com a entrada em vigor prevista para 2026, fabricantes que atuam ou pretendem atuar no mercado norte-americano ganham uma janela estratégica para adaptação, ao mesmo tempo em que o estado de Nova York se posiciona como referência regulatória em produtos menstruais.


