Ontex registra queda de volume e fluxo de caixa negativo em 2025, apesar de avanços estratégicos
Relatório anual aponta pressão no segmento de baby care, desinvestimentos e foco em Europa e América do Norte como base para recuperação e geração de valor
A Ontex divulgou seu relatório anual de 2025, revelando um ano de desempenho abaixo das expectativas iniciais, marcado por queda no consumo de produtos infantis, aumento da pressão competitiva e impacto direto nos resultados financeiros.
A companhia registrou retração de 5% no volume LFL (like-for-like), fluxo de caixa livre negativo de €25 milhões e margem EBITDA ajustada de 10%, com recuo de dois pontos percentuais. Ainda assim, o período foi caracterizado por execução estratégica e reestruturação do negócio.
“2025 foi um ano desafiador para a Ontex, e nosso desempenho não atendeu às nossas expectativas iniciais. Ao mesmo tempo, foi um ano de execução focada, durante o qual tomamos medidas decisivas para fortalecer nossas bases e preparar a empresa para a criação de valor sustentável. Concluímos nossa reorientação para a Europa e a América do Norte, continuamos a melhorar a eficiência e reforçamos a profundidade, a relevância e a velocidade da inovação em todas as nossas categorias”, comentou Laurent Nielly, CEO da Ontex.
Um dos principais movimentos do ano foi a conclusão do processo de desinvestimento das operações no Brasil e na Turquia, consolidando o foco da empresa em Europa e América do Norte.
A estratégia prioriza marcas próprias de varejistas e soluções para o segmento de healthcare, com alocação mais disciplinada de recursos em mercados considerados mais estratégicos no longo prazo.
O contexto de mercado foi desafiador, especialmente no segmento de fraldas infantis, impactado pela queda nas taxas de natalidade e pela forte atuação de marcas líderes com estratégias promocionais agressivas. Por outro lado, o segmento de cuidados adultos se tornou a principal categoria da empresa, representando 46% do portfólio, impulsionado pelo envelhecimento populacional e pela crescente demanda por soluções de incontinência.
Apesar da queda de volumes, a empresa avançou em eficiência operacional, com programas de otimização industrial e transformação de custos que geraram €69 milhões em economias ao longo do ano.
A inovação também ganhou relevância, com investimentos em P&D que ampliaram a capacidade de desenvolver soluções mais acessíveis e sustentáveis. Entre os destaques estão novos produtos em cuidados infantis e cuidados femininos, além do uso de materiais de menor impacto ambiental, como bioSAP e embalagens recicladas.
No campo financeiro, a empresa concluiu o refinanciamento de sua dívida, alongando prazos e reduzindo riscos, além de reduzir a dívida líquida para €577 milhões, mesmo diante do fluxo de caixa negativo.
A governança também foi fortalecida com a entrada de novos membros no conselho, ampliando a diversidade de experiência e suporte à estratégia da companhia.
A empresa avançou em sua agenda ESG, atingindo 39% de conteúdo reciclado ou renovável em embalagens e obtendo reconhecimento externo, como classificação “A” em clima pelo CDP e classificação Ouro pela EcoVadis. Além disso, ampliou o abastecimento regional de matérias-primas, buscando maior resiliência da cadeia e redução de emissões.
PERSPECTIVAS PARA 2026
Para 2026, a companhia projeta melhora gradual do desempenho, sustentada por novos contratos, continuidade dos programas de eficiência e disciplina financeira.
A empresa também anunciou uma revisão estratégica mais ampla, avaliando portfólio, operações e geração de caixa, com o objetivo de destravar valor e fortalecer sua competitividade no longo prazo.









