A Marabu, subsidiária da companhia aérea alemã Condor, tornou-se a primeira empresa do setor a oferecer produtos menstruais gratuitos em suas aeronaves. A iniciativa, em parceria com a startup The Female Company, especializada em itens sustentáveis, inclui dispensers instalados nos banheiros dos aviões.
A medida tem como objetivo ampliar o acesso a produtos de higiene íntima durante os voos e reduzir o constrangimento de passageiras que, até então, precisavam solicitar os itens diretamente à tripulação.
“Nossa intenção era promover mais igualdade e quebrar o tabu em torno da higiene feminina”, afirmou Diana Strauss, gerente de experiência do cliente da Marabu, ao site aeroTELEGRAPH. A instalação dos dispensers foi adaptada para o espaço limitado dos banheiros das aeronaves e despertou o interesse de outras companhias aéreas, especialmente na Escandinávia.
PANORAMA INTERNACIONAL: POLÍTICAS PÚBLICAS GANHAM FORÇA
A oferta gratuita de absorventes e tampões em locais públicos tem avançado em diversas partes do mundo. A Escócia foi pioneira ao aprovar, em 2021, a Period Products Act, que obriga instituições públicas a fornecerem produtos menstruais sem custo.
Na Nova Zelândia, todas as escolas públicas oferecem absorventes gratuitamente desde 2021. A medida visa combater a evasão escolar motivada pela falta de acesso a itens de higiene.
Nos Estados Unidos, legislações estaduais e municipais têm adotado medidas semelhantes: 28 estados e o Distrito de Columbia contam com leis sobre produtos menstruais gratuitos nas escolas.
BRASIL: AVANÇOS NA LEGISLAÇÃO E DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO
No Brasil, a dignidade menstrual passou a integrar a agenda de políticas públicas com a Lei 14.214/2021, que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. A legislação prevê a distribuição gratuita de absorventes para alunas da rede pública, mulheres em situação de rua e população carcerária.
O programa foi relançado em 2023 pelo governo federal e incluído na rede Farmácia Popular. Apesar do programa coordenado pelo Ministério da Saúde ter beneficiado 2,1 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social extrema ou de baixa renda, ainda enfrenta entraves na implementação, entre eles: a cobertura é parcial e há desafios logísticos para distribuição em regiões remotas.
No entanto, diversos projetos liderados por organizações não governamentais, coletivos e empresas privadas buscam ampliar o acesso a produtos menstruais e combater a pobreza menstrual no país.
Entre os exemplos estão o “Absorvendo Amor”, que distribui kits de higiene em comunidades vulneráveis; o “Livre para Menstruar”, com foco em educação menstrual; e o “Sempre Juntas”, da Procter & Gamble, que atua com doações e campanhas educativas em parceria com ONGs e secretarias municipais.
MENSTRUAÇÃO COMO PAUTA DE SAÚDE E IGUALDADE
A ampliação do acesso a produtos menstruais gratuitos reflete uma mudança na abordagem da menstruação: de tabu para uma questão de saúde pública e equidade de gênero.
A iniciativa da Marabu, ao oferecer absorventes em aviões, evidencia que a dignidade menstrual não deve se limitar a políticas públicas, mas envolver todos os espaços, inclusive o setor privado.
O desafio, entretanto, continua sendo garantir que essas ações sejam contínuas, com escala e impacto real para a parcela da população que ainda convive com a falta de acesso a itens básicos de higiene.









